Situação epidemiológica silenciosa atinge Santa Catarina, o que contrasta com bons indicadores socioeconômicos; pesquisadores e profissionais de saúde destacam diferentes fatores
Considerado um estado próspero, Santa Catarina reúne alguns dos indicadores socioeconômicos mais favoráveis do Brasil em diversas áreas, a exemplo da educação, baixa desigualdade de renda e índices reduzidos de homicídios. Ainda assim, um dado assombra: a taxa de mortalidade de suicídios. Isso evidencia o contraste e complexidade de um problema silencioso e tratado como tabu.
O crescimento de Santa Catarina não é isolado. No Brasil, um levantamento publicado na Revista Brasileira Científica de Criminalística, com base no DataSUS, mostra que, entre os anos de 2013 e 2022, o número total de mortes por lesão autoprovocada (nome formal para o suicídios), chegou a 128.341, saindo de 10.533 para 16.462 no período. Foi um aumento de 55,35% no intervalo.
Nesse período de uma década, São Paulo, o estado mais populoso, registrou o maior número, mas quando se leva em consideração a taxa por 100 mil habitantes, Santa Catarina se destaca, com incidência média anual de 12,32 óbitos. O dado perde apenas para Rio Grande do Sul (14,43). Mato Grosso do Sul (11,89) completa o top 3.
Suicídios por 100 mil habitantes
Rio Grande do Sul
12,89
Piauí
12,56
Santa Catarina
11,82
Já em 2025, Santa Catarina apresentou a terceira maior taxa de mortalidade por suicídio do Brasil, com 11,82 mortes a cada 100 mil habitantes, atrás de novo do Rio Grande do Sul, com 12,89, de acordo com o Mapa da Segurança Pública, e do Piauí, com 12,56, em segundo.
Dados obtidos com exclusividade pelo NSC Total, através da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram a dimensão detalhada das mortes por suicídio em Santa Catarina ao longo dos últimos 11 anos. O número anual de óbitos passou de 642, em 2015, para 1.034, em 2025, uma alta de aproximadamente 61% no período. A contagem é da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
As altas taxas de suicídio em Santa Catarina contrastam com bons dados de bem estar social e índices socioeconômicos do estado. Na desigualdade de renda, por exemplo, apresenta o menor índice, segundo a Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ainda coloca Santa Catarina com a quarta maior renda média salarial, com R$ 3.900. O desemprego flutuou entre 3,9% e 4,4%, menor que no cenário nacional.
Na segurança pública, Santa Catarina aparece como estado mais seguro do país no Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil 2026, elaborado pela empresa MySide. O estado registrou uma taxa de 7,7 assassinatos por 100 mil habitantes, a menor do país.
Na educação, tem a terceira maior população adulta com ensino superior completo, com 21,4% dos acima de 25 anos, conforme aponta o Censo. Já na saúde, Santa Catarina apresenta a maior expectativa de vida, com 81,1 anos.
Os bons índices, contudo, acabam não sendo sinônimos de taxas de suicídio baixas. Para especialistas ouvidos pelo NSC Total, compreender os números de suicídio em Santa Catarina exige olhar para um conjunto de fatores, entre eles as condições de trabalho, as desigualdades, as pressões culturais, o estigma em torno da busca por ajuda e o acesso aos serviços de saúde mental.
A constatação é reforçada por um estudo publicado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, que aponta o suicídio como “ um fenômeno multifatorial e complexo, decorrente da interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais”.
Antonio Cavalcante de Almeida, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), aponta que a análise das taxas de suicídio precisa ir além das características individuais e observar como o fenômeno se manifesta na coletividade.
Pesquisador do tema, ele estudou registros do Instituto Geral de Perícias (IGP) de 24 municípios do Meio-Oeste catarinense, com dados de um período histórico que incluiu os anos de 2000 a 2013. A investigação buscou identificar padrões entre municípios e examinar as diferenças na distribuição das mortes.
“O fato de Santa Catarina ter indicadores socioeconômicos acima da média nacional não impede que se tenha altos índices de suicídio. Não tem correlação. Se fosse assim, não teríamos prevalência de suicídio nos países mais ricos da Europa, como Alemanha, França e Holanda”, observa.
Com taxa de suicídios em 11,82 por 100 mil habitantes em 2025, Santa Catarina tem índice maior que a Holanda (9,6 a 10,5), se equipara a Alemanha (11,8 a 12,5) e fica atrás da França (12,5 a 13,6). A média da Europa fica em 10,4.
Cavalcante destaca que, em seu estudo, foi demonstrado que municípios menores apresentavam altos índices de suicídio quando comparados às cidades com populações maiores.
Lacerdópolis, Ouro e Jaborá, nos chamaram a atenção pelas taxas. Mas se você pegar o caso de Treze Tílias, município que tem indicadores socioeconômicos bons, você não tem tantas mortes voluntárias no período que analisamos”, afirma.
Para ele, a análise dos casos deve ser feita de forma complexa, considerando os múltiplos fatores que possam gerar impacto na população.
“Você tem que analisar os contextos das inter-relações, que estão ligados às questões socioculturais, morais, religiosas e de trabalho, que implicam na coletividade e pressionam esse indivíduo. Pela sociologia do [sociólogo Émilie Durkheim], o suicídio é um fato social, é coercitivo, se impõe, é exterior ao indivíduo”, finaliza.
O que Durkheim quer dizer é que tirar a própria vida não é apenas uma decisão íntima ou fraqueza individual, mas o reflexo de pressões e regras silenciosas da própria sociedade que podem sufocar a pessoa.
Entre profissionais da saúde, a discussão se mantém complexa, dado os inúmeros fatores que podem provocar casos de suicídio. O médico Bráulio Peluso, atuante em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da Grande Florianópolis, aponta que bons índices sociais e de renda não necessariamente devem se refletir na saúde mental das pessoas.
“Você ter bens, ter recursos materiais, não significa que você vai se tornar uma pessoa plena, feliz, realizada. As condições materiais não determinam esse sucesso individual do ser humano”, afirma.
Ele destaca que um lugar com alto nível social pode até causar efeito contrário na mente das pessoas: “Uma hipótese, inclusive, é de que esses elevados índices socioeconômicos, com alta produtividade, estejam custando um preço, que pode ser a saúde mental das pessoas”.
Para além dos fatores socioeconômicos, Debora Popadiuk, psicóloga e integrante da diretoria da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicidio (ABEPS), aponta outras diferenças, como sexo e gênero, raça, idade e território. Fatores de proteção também devem ser considerados, como vínculos comunitários, apoio familiar e acesso aos serviços.
“No Brasil, a mortalidade por suicídio entre homens é cerca de quatro vezes maior que entre mulheres, um dado essencial para orientar onde concentrar esforços de prevenção. Esses elementos não explicam automaticamente uma morte ou um caso individual, mas podem ajudar a compreender o cenário e orientar ações de prevenção e políticas públicas”, analisa.
Na questão de gênero, a psicóloga Maria Júlia Rodrigues, que trabalha no atendimento a mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ em Santa Catarina, aponta para a existência de casos de homofobia e machismo.
“O nosso estado tem muita oportunidade, qualidade de vida e geração de empregos, mas há muita discriminação, com casos de homofobia e violência contra mulher. Então essa falta de segurança pode impactar no sofrimento mental de determinadas populações ou grupos”, avalia. Não há dados públicos disponíveis sobre mortes por suicídios por gênero.
Outro aspecto levantado por Maria Júlia é a dificuldade que as pessoas enfrentam para reconhecer o próprio sofrimento ou procurar atendimento por medo de julgamento.
“Tem muita questão do medo de ser julgado. Ainda existe essa coisa de a terapia ser para os fracos. Também tem a dificuldade da gente reconhecer o nosso próprio sofrimento. A gente naturaliza muito tudo que vive”
Maria Júlia Rodrigues, psicóloga
Embora não seja possível atribuir as altas taxas de suicídio a uma falha na rede pública, as condições de atendimento também precisam fazer parte da investigação. Um levantamento do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC), baseado em respostas dos 295 municípios a um questionário realizado em 2023, identificou possíveis lacunas na organização dos serviços de saúde mental.
Naquele levantamento, 238 municípios — 80,68% do total — afirmaram não possuir protocolos específicos para prevenir e gerenciar situações de risco de suicídio. Apenas 84 cidades, o equivalente a 28,47%, informaram ter programas voltados especificamente aos cuidados em saúde mental.
O diagnóstico também apontou que 243 municípios, ou 82,37%, tinham dificuldades para disponibilizar vagas de internação em hospitais gerais para pessoas em tratamento de saúde mental ou psiquiatria.
O psicólogo Pedro Geremia tem experiência na rede pública de saúde de Florianópolis. Ele comenta que a demanda por atendimento em saúde mental é elevada e há poucos profissionais disponíveis para responder todas as necessidades.
“Quando falamos sobre casos de suicídio temos que apontar uma lacuna em saúde mental no geral. Há uma desassistência, com poucos profissionais para atendimento no setor público. No SUS, se você olhar para os postos de saúde, muitas vezes não se tem profissionais da psicologia nesses locais”, observa o profissional, que atua com pessoas enlutadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integra o Laboratório de Processos Psicossociais e Clínicos no Luto (LAPPSILu).
O planejamento da política de saúde mental também aparecia como um ponto de fragilidade no relatório do TCE. Apenas 84 municípios (28,47%) informaram ter programas específicos de saúde mental previstos em norma municipal. Outros 212, cerca de 72%, não tinham esse tipo de programa formalizado.
“Embora não seja o protocolo que vai salvar uma vida, o protocolo vai te direcionar, vai servir de guia para o atendimento, para não haver a batida de cabeça entre os profissionais. É fundamental saber o caminho para determinada situação”, avalia Renato Costa, auditor do TCE, responsável pelo levantamento dos dados.
A ausência de protocolos específicos de prevenção ao suicídio em mais de 80% dos municípios catarinenses, identificada pelo TCE em 2023, evidencia uma das fragilidades que precisam ser enfrentadas na organização da rede de saúde mental estadual.
É necessário garantir que a população consiga acessar o atendimento, receba acolhimento adequado e tenha acompanhamento contínuo. A articulação entre a atenção básica, os serviços especializados e as unidades de urgência também é apontada como fundamental.
“O acesso é fundamental, mas não basta que o serviço exista formalmente. A pessoa precisa conseguir chegar até ele, ser acolhida sem julgamento, receber avaliação adequada e ter continuidade no cuidado”, afirma Debora Popadiuk.
O médico Bráulio reforça a necessidade de articulação entre os profissionais e atendimento qualificado, independente do serviço procurado:
“O ideal é que exista uma articulação entre os profissionais para o trabalho clínico de cada pessoa. Dessa forma, independentemente do serviço procurado, haverá informações para realizar um atendimento qualificado”, reforçou o médico Bráulio.
Em meio ao atendimento em saúde, um tabu precisa ser quebrado: o receio de julgamento por buscar o atendimento, em especial em cidades pequenas de Santa Catarina. A constatação está na pesquisa do sociólogo Antônio Cavalcante, que analisou os municípios do Meio-Oeste.
“O homem vai muito por uma questão moral, né? Se eu for lá, o meu amigo ou o meu vizinho vai saber e vai sair comentando. […] Essa questão do estigma é um elemento que devemos trabalhar muito nesses municípios e no estado: como as políticas públicas de saúde mental podem alcançar, chegar, dialogar, fazer a escuta de toda a população, mas em especial dos homens nessas regiões”, afirma.
Para o sociólogo, o enfrentamento desse problema também passa pela continuidade das ações de prevenção, como deixar de ter iniciativas pontuais, a exemplo do Setembro Amarelo. O combate ao suicídio deve ser todo dia.
Uma das iniciativas que oferece acolhimento emocional é o Centro de Valorização da Vida (CVV), existente desde 1962 no Brasil e que atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. O serviço funciona com voluntários capacitados para conversar com pessoas que precisam de apoio, de forma sigilosa e sem julgamentos.
Em Florianópolis, José Vilela Sobrinho é um dos voluntários da instituição. Ele já trabalhou no atendimento telefônico e hoje participa da frente voltada à comunidade, com palestras e rodas de conversa em escolas, empresas e outras instituições.
“Desde a fundação, trabalhamos no apoio emocional às pessoas que estão precisando conversar. Também trabalhamos com a prevenção do suicídio. É importante deixar claro que quem faz terapia são os profissionais da área, como psicólogos e psiquiatras. O nosso apoio tem efeito terapêutico, mas não é terapia”, explica Vilela.
Segundo ele, as pessoas procuram o CVV por motivos variados, que nem sempre estão relacionados diretamente a pensamentos suicidas. Em sua experiência, o voluntário destaca que a pessoa busca não só uma solução imediata, mas a oportunidade de falar sobre o que está vivendo sem ser julgada.
“Eu costumo dizer que hoje uma das primeiras necessidades do mundo, que está em falta, chama-se escutar. As pessoas cada vez escutam menos. Então, quando nos ligam, as pessoas falam das suas preocupações, das suas frustrações, mas também falam de esperança”
José Vilela Sobrinho, voluntário do CVV
O atendimento é sigiloso, e quem entra em contato não precisa se identificar. Além do telefone 188, o CVV oferece atendimento pelo chat disponível no site oficial da instituição.
Como o serviço funciona em uma rede nacional, as ligações podem ser atendidas por voluntários de diferentes regiões do país. Por esse motivo, Vilela explica que não há um levantamento local que permita separar quantos atendimentos foram realizados especificamente em Santa Catarina. Em 2025, o CVV recebeu mais de 2 milhões de contatos em todo o Brasil, por telefone e chat.
A atuação da instituição também inclui o acolhimento de pessoas afetadas por uma morte por suicídio. Vilela cita o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GAS), que promove rodas de conversa para pessoas que passaram por uma tentativa, perderam alguém dessa forma ou foram diretamente impactadas por uma ocorrência. Nesses encontros, a proposta é permitir que os participantes compartilhem experiências sem medo de críticas.
“Esse grupo de apoio faz rodas de conversa com pessoas nessa situação, que vão lá para conversar, para falar, para colocar o que estão vivendo. Não vão ser julgadas nem criticadas. Há um voluntário do CVV que foi preparado para dar apoio emocional a essa pessoa que precisa falar sobre o que aconteceu”, diz.
Para Vilela, a escuta precisa estar presente durante todo o ano, e não apenas em períodos de campanhas de conscientização. Ele defende que o assunto seja abordado com informação e cuidado, sem transformar o sofrimento em espetáculo.
“Tem que se falar nas escolas, nas casas, o ano todo, mas não fazer disso um espetáculo. Só o fato de conversar com as pessoas e atender quem nos procura já faz parte desse trabalho. O nosso telefone funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano. Do outro lado da linha há um voluntário preparado e capacitado para conversar, para dialogar. Não é só escutar: é uma troca”
José Vilela Sobrinho, voluntário do CVV
Em Santa Catarina, o governo estadual informa que trabalha na ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), na qualificação dos profissionais e na organização do atendimento entre os municípios e os diferentes serviços de saúde. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) conta atualmente com 117 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em funcionamento, enquanto outros sete serviços estão em processo de habilitação junto ao Ministério da Saúde.
Entre as medidas adotadas estão a criação da Gerência de Atenção Psicossocial e a formalização, em 2024, do Grupo Condutor Estadual da RAPS, responsável por contribuir para a articulação dos serviços da rede. A secretaria também afirma ter intensificado o planejamento regional para identificar áreas com oferta insuficiente de atendimento e reorganizar os serviços conforme as necessidades de cada território.
Outra frente é a capacitação das equipes. A SES está desenvolvendo uma formação de 60 horas para profissionais de saúde que atendem pessoas em crise, cujas gravações começaram em abril de 2026. A pasta também oferece atividades formativas pela plataforma Saúde Digital UFSC, com programação mensal sobre saúde mental. Uma proposta de teleconsultoria para apoiar equipes em situações de urgência e emergência na área ainda está em discussão.
Na parte financeira, o governo estadual informa ter ampliado, em 2025 e 2026, os valores de cofinanciamento destinados aos CAPS microrregionais e aos Serviços Residenciais Terapêuticos. Entre as metas para os próximos anos estão aumentar a oferta de CAPS com funcionamento 24 horas, ampliar os serviços de acolhimento e reduzir as diferenças regionais no acesso à assistência.
Em Santa Catarina
117
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
11,5
CAPS em processo de habilitação
No âmbito federal, o Ministério da Saúde detalha que habilitou 867 novos serviços da Rede de Atenção Psicossocial em todo o Brasil desde 2023, elevando para 6.488 o total de pontos de atenção. Segundo a pasta, os investimentos destinados à saúde mental aumentaram quase 75% em relação a 2022.
Em Santa Catarina, foram habilitados 33 novos serviços no período, um crescimento de 17% em relação a 2022. Entre as iniciativas estão o início das atividades de um CAPS I em Penha e de um CAPS infantojuvenil em Brusque, além da capacitação de 459 profissionais. O ministério também informa ter promovido seminários e atividades de qualificação com gestores municipais, incluindo ações sobre a linha de cuidado em saúde mental no Oeste catarinense.
No Brasil
6.488
Serviços da Rede de Atenção Psicossocial
CVV
188
24 horas por dia
Situação epidemiológica silenciosa atinge Santa Catarina, o que contrasta com bons indicadores socioeconômicos
Menores cidades de Santa Catarina concentram as maiores taxas de suicídio e números superam a média do país
Relatos de familiares mostram diferentes formas encontradas para lidar com o luto e como o estigma ainda dificulta a falar sobre a perda
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Nicoly Souza I nicoly.souza@nsc.com.br
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